FALE CONOSCO     |     INTRANET     |      QUEM SOMOS
 Assine a revista PONTO M  
SIGA O CP       ANUNCIE AQUI

Boa noite! Quinta-feira, 18 / 01 / 2018
MALRIA
Pesquisa mostra que parasita que causa malria em macacos pode infectar humanos

Data da notícia: 2017-09-01 09:20:24
Foto: Arquivo/Fbio Massalli
Parasita que causava malria apenas em macacos est relacionado a casos humanos ocorridos na regio de Mata Atlntica do Rio de Janeiro
Um estudo liderado por pesquisadores da Fundao Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que um parasita que causava malria apenas em macacos est relacionado a casos humanos ocorridos na regio de Mata Atlntica do Rio de Janeiro. Publicado na quinta-feira (31) na revista cientfica The Lancet Global Health, o trabalho demonstra que o estado do Rio de Janeiro o segundo foco encontrado no mundo com transmisso desse tipo de malria. O primeiro local em que o protozorio foi encontrado em humanos foi na Malsia, na sia.

Conhecido como Plasmodium simium, o parasita foi responsvel pela infeco de 28 pessoas na regio de Mata Atlntica fluminense em 2015 e 2016. Enquanto de 2006 a 2014, o Rio registrava mdia de quatro casos autctones (locais) de malria por ano, em 2015 e 2016, esse ndice subiu para 33 e 16, respectivamente. Com a descoberta, o protozorio torna-se causador do sexto tipo de malria humana. No Brasil, a doena era conhecidamente causada por trs espcies do gnero Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae.

De acordo com o coordenador do estudo, Cludio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratrio de Pesquisa em Malria do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) a descoberta tem impacto relevante para a sade pblica, por representar uma nova forma de infeco.

A partir dos dados trazidos por esse estudo, razovel supor que uma nova modalidade de transmisso, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na regio e um parasita diferente do P. vivax encontrado na Amaznia est causando os casos nas regies da Mata Atlntica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados, disse. No entanto, do ponto de vista da vigilncia epidemiolgica, os casos de malria que detectamos representam uma parcela mnima dos registros da doena no pas. Alm disso, todos os pacientes diagnosticados com a infeco apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente aps o tratamento, disse Daniel-Ribeiro, que tambm coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnstico e Treinamento em Malria da Fiocruz.

O tratamento contra malria varia conforme o tipo do protozorio que causa a doena e feito com medicamentos antimalricos. O principal sintoma da doena a febre e pode haver dores de cabea, no corpo e nas articulales. O parasita P. falciparum causa o tipo mais grave da malria, encontrado na Regio Amaznica e pode levar at a morte do doente. Segundo o estudo, a malria da Mata Atlntica costuma ter poucos sintomas e raramente motivo de internao hospitalar.

Alm da Fiocruz, colaboraram para o estudo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Gois (UFG), o Centro Universitrio Serra dos rgos (Unifeso), o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), o Programa Nacional de Controle e Preveno da Malria do Ministrio da Sade, alm da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e a Universidade de Nagasaki, no Japo.

Sinal de alerta

A maior prevalncia dos casos de malria no pas est na Regio Amaznica, com ndice que supera 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatao de infeces em reas de Mata Atlntica do Rio despertou a ateno dos especialistas, pois os casos de malria em humanos foram considerados eliminados h cerca de 50 anos na regio.

Em quase todos os casos analisados durante as investigaes, o diagnstico inicial apontava pequenas diferenas morfolgicas entre o parasita encontrado e o P. vivax, que comumente infecta indivduos na regio amaznica. As anlises indicavam uma maior semelhana entre os parasitas fluminenses e descries anteriores do P. simium na literatura cientfica.

Ainda no possvel determinar se o parasita adquiriu a capacidade de infeco de seres humanos recentemente ou se a malria zoontica j infectava seres humanos no local antes da eliminao da doena na regio. Para dimensionar a ameaa apresentada pelo P. simium ser necessrio aprofundar os estudos, informou o pesquisador.

Anlise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos deve determinar a rea de circulao do parasita. Ele informou que tambm ser preciso investigar se a transmisso do ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente desses protozorios no sangue para infectar mosquitos durante a picada e, consequentemente, os insetos contaminarem outros indivduos.


Fonte: Flvia Villela - Agncia Brasil


Compartilhe com seus amigos:





www.correiopopular.com.br
é uma publicação pertencente à EMPRESA JORNALÍSTICA CP DE RONDÔNIA LTDA
2016 - Todos os direitos reservados
Contatos: redacao@correiopopular.net - comercial@correiopopular.com.br - cpredacao@uol.com.br
Telefone: 69-3421-6853.