Sem
terras, sem direitos, sem leis...
Devo confessar que na última quinta-feira (30), assim como milhares de
ji-paranaenses, eu senti uma revolta danada, contra os manifestantes do MPA que passaram
parte da semana em Ji-Paraná realizando protestos e manifestações em prol de suas
campanhas e ideologias.
Nada tenho de pessoal contra o movimento, muito menos contra o que eles
pensam ou pregam, o que, como cidadão extremamente liberal que sou, não posso jamais
aceitar e compactuar com que alguns poucos tomem atitudes que tragam prejuízos a toda a
coletividade. E foi o que aconteceu em Ji-Paraná, quando o MPA afrontou a comunidade e
tomou de assalto a ponte sobre o Rio Machado.
Eles não tinham o direito de fazer isso. Aliás, nenhum direito. Eles
podem sim fazer o seu protesto e a sua manifestação de forma pacífica, em qualquer
canto da cidade, como chegaram a fazer defronte à Câmara Municipal. No entanto, não
lhes é permitido, nem a ninguém, tirar o sagrado direito de ir e vir das demais pessoas,
coisa que aliás nos é garantida pela Constituição Brasileira.
Ao invadirem a ponte e bloquearem a passagem aos veículos, apenas para
protestarem contra o governador Cassol, o MPA perdeu a razão de seu movimento, perdeu a
simpatia daqueles que como eu viam o movimento com bons olhos e perdeu a legalidade em seu
ato. Ao contrário, desde ontem, a cidade passou a antipatizar o MPA, a quem quase todo
mundo está chamando de sem-terra. Não, eles não são sem terras, não. Pelo contrário,
são do movimento de pequenos agricultores, gente que trabalha, gente que produz, gente
que sabe do valor das coisas, mas que por um momento, acabaram se deixando iludir por um
líder qualquer e cometendo uma insensatez sem tamanho.
E tem um outro agravante nesta história toda, uma boa parte dos
manifestantes presentes à ponte estavam armados. Isto mesmo: armados. É claro que
alguém pode até alegar que se tratava apenas de ferramentas agrícolas, como foices e
facões, no entanto, elas são ferramentas agrícolas apenas lá no campo, lá na roça...
Aqui na cidade, são apenas armas brancas, iguais a qualquer faca ou punhal. No entanto,
elas estavam lá na ponte, à vista de todos. Alguns manifestantes as empunhavam como uma
ameaça a quem ousasse desafiá-los. E a polícia nada fez. Está certo que ninguém
queria um conflito, mas ali, naquele momento, não havia diferença entre produtores
rurais e homens armados, não havia mesmo.
Minha família é de origem rural e conheço bem de perto os problemas da
agricultura e a dificuldade do homem do campo. Vou brigar até o último instante para que
todos eles tenham a chance e a oportunidade de realizarem as suas manifestações e
exponham seus problemas e revoltas, porém, nunca vou concordar conscientemente de que
homens armados fechem o trânsito sobre uma ponte e ameaçando a comunidade, tirem o
direito das demais pessoas de poderem se locomover dentro de sua própria cidade,
impedindo chefes de família de poderem se locomover, donas de casa de retornarem às suas
casas, e até mesmo, crianças de voltarem da escola para os seus lares. |