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Palavras, gestos
e felicidade
A comunicação é um dos principais pilares de sustentação
de um relacionamento afetivo. Uma boa parceria, daquele tipo que
sobrevive à passagem do tempo com alta qualidade, se assenta em muita
conversa amorosa, troca e atenção. Muitos casamentos terminam por falta
desses ingredientes fundamentais. Eles escasseiam justamente porque
diante de problemas – normais, na vida a dois – o casal prefere o
silêncio, em vez da atitude corajosa: enfrentar e resolver um por um. Em
vez disso, o diálogo se resume a farpas e ironias, em desgastante
processo de agressão mútua. É a maneira encontrada para descarregar a
hostilidade e a raiva derivadas do ressentimento, quando impera o
silêncio, pesado e incômodo, em vez do papo amoroso e com abertura à
compreensão verdadeira.
O melhor caminho para garantir a solidez de uma relação
é resolver os problemas tão logo eles aparecem. Sem jogar poeira para
baixo do tapete, fica mais fácil manter sempre limpo e transparente o
fluxo de palavras. Ele é uma lâmina de dois afiados gumes: tanto pode
ser o principal nutriente quanto o maior veneno de uma vida a dois.
Existem períodos, a gente sabe muito bem, que um ou outro, senão ambos,
estão mais voltados para dentro de si mesmos, introspectivos, muitas
vezes por puro estresse ou questões de foro íntimo.
É importante respeitar esses dilemas, mas sempre
lembrando que são fases passageiras, não um modo de vida. Aos poucos,
com jeito, é fundamental tentar a abertura para conversas francas,
novamente.
A comunicação é um hábito. Requer treinamento e
disciplina diários. É um aprendizado constante. Na certa, permite
descobrir belezas no outro, caso a disposição seja de aproximar-se cada
vez mais. Não vale só falar dos filhos, por exemplo. Eles são
importantes, sim, mas a chama do amor tem de ser avivada com detalhes da
vida do casal: valorizar o lazer e passeios, por exemplo, a compartilhar
na intimidade, com aquele sabor de cumplicidade, comum no namoro.
Quem não tem filhos e costuma falar apenas sobre o
trabalho também deve mudar de atitude, focando o universo mais íntimo. A
carreira é importante, mas não é tudo. É preciso que tenha o espaço que
merece: apenas parte de um conjunto muito mais amplo, de aproximação
constante.
Nunca é demais lembrar que a comunicação envolve muito
mais que a palavra. Tem a ver com gestos de carinho, olhares
significativos, sorrisos cúmplices – muito mais eloqüentes que uma
sucessão de frases. Quando o casal consegue conversar também com o
corpo, através do toque e da atitude mais receptiva, construindo um
diálogo rico e instigante, as chances de viveram felizes se ampliam ao
infinito. Quem viver e praticar, verá!
* In memorian -
Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre "Sexo", ligue para
0800.770.6543 (gratuitamente), de 2a à 6a, das 10 às 20h. O atendimento
é realizado por médico ou psicólogo. |
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Sim, a felicidade sexual
existe...
Muito se fala a respeito de sexualidade, de prazer. Esse
é um tema que até costuma ser tratado com uma certa frivolidade, como se
o que é bom se resumisse a uma conta de mais: quantas vezes em uma só
noite. E quem aproveita mais, o homem, que pode ser capaz de mais de uma
ereção, ou a mulher, com a possibilidade dos orgasmos múltiplos? Afinal,
o que é felicidade sexual? Pode mesmo acontecer? Para qualquer sexo e
faixa etária?
Giacomo Dacquino, psicanalista italiano especializado em
sexologia e autor de mais de 15 livros, tem levantado uma questão
fundamental e que merece boa reflexão: a imaturidade sexual. Ninguém
pense que isso tem a ver, invariavelmente, com a juventude. Ao
contrário, pode se estender para a vida inteira, caso não seja cuidada e
revertida. Para o estudioso, imaturidade sexual é o comportamento
genitalizado, bastante comum entre os homens e governado exclusivamente
pelo prazer imediato. É a tal da numerália – importa mais o quanto que o
como. E isso empobrece a vida sexual.
A preocupação neurótica com o desempenho é um fantasma
que ronda os relacionamentos. Alarma tanto que quando alguém nota
diferenças para menos, no que considera normal, trata de sair em busca
de ajuda. Com medo de perder pontos no placar convencional, de baixar
seu "rendimento", porque fatalmente aconteceria uma crise de
autoconfiança.
É certo que atualmente há medicamentos que ajudam muito
a restituir o que os homens chamam de virilidade. Desde o advento do
Viagra, até o lançamento do Cialis, houve um grande progresso nesse
campo delicado dos problemas com ereção. E a evolução diz respeito não
apenas à possibilidade de ter e manter uma ereção, mas também de estar
apto a isso por muito mais tempo. Os remédios de primeira geração
ofereciam cerca de quatro horas e eficácia, os de última já estendem
esse período ás 36, ou seja, é o fim do sexo com hora marcada.
A felicidade, nesse campo, tem a ver não apenas com a
questão funcional, mas sobretudo com o exercício da afetividade e da
sedução – algo que requer tempo e atenção. Sexo não é ginástica, mas
envolvimento. Assim, quem se acostumou a vivenciá-lo na base dos
números, tem de abrir novas portas para conhecer um mundo de novas
possibilidades. A começar pela descoberta do que realmente agrada às
suas parceiras. E isso diz respeito à intimidade. Ao desvendar
mistérios.
O mundo convencional, ligado ao hemisfério esquerdo do
cérebro, é lógico, racional, objetivo, concreto. O da experiência, que
tem a ver com o lado direito do cérebro, é o das sensações e percepções
e não se expressa por palavras, senão por gestos, movimentos, impressões
dos sentidos. Ambos podem estar em perfeita harmonia, se o primeiro não
estiver sempre em primeiro lugar. É preciso abrir espaço para vivências
novas, experiências.
A felicidade sexual é um campo aberto e ilimitado, que
embora possa acolher o convencional, se enriquece com o novo. Veja a
pessoa amada, a seu lado, como alguém em parte desconhecido e a
desvendar. Use o que já sabe para descobrir o que sequer desconfia. Ouse
nas carícias. Aposte delicadamente na intimidade. Seres humanos
sexualmente felizes não se preocupam com desempenho, porque estão
mergulhados na busca, infinitamente gratificante, do prazer mútuo. Essa
é a grande viagem!
* médico psicoterapeuta - Autor do livro "Sem Drama na
Kama" – Ed. Prestígio/Ediouro
Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre "Sexo", ligue
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realizado por médico ou psicólogo. |